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Título: Filosofia da Educação
Autores: Corso, João Carlos
Palavras-chave: Filosofia
Educação
Data de publicação: 2016
Descrição: A filosofia foi uma invenção grega, decorrente de um contexto específico que possibilitou o desenvolvimento do pensamento racional. Segundo a tradição, o criador do termo “filo-sofia” foi Pitágoras, o que, embora não sendo historicamente seguro, no entanto é verossímil. O termo certamente foi cunhado por um espírito religioso, que pressupunha só ser possível aos deuses uma “Sofia (“sabedoria”), ou seja: [...] uma posse certa e total do verdadeiro, uma contínua aproximação ao verdadeiro, um amor ao saber nunca saciado totalmente, de onde, justamente, o nome “filo-sofia”, ou seja, “amor pela sabedoria” (REALE, 1990, v1, p. 21). No entanto, a filosofia também significou o rompimento e tentativa de superação do mito, enquanto explicação. O mito era a primeira forma de discurso sobre o mundo, que envolvia elementos de crença, fantasiosos, mas que conseguia gerar um sentido de explicação. Veremos que o mito nunca deixou de existir, apesar de que a partir da filosofia ele se tornou dispensável para muitos. A filosofia teve como preocupação primeira explicar os fenômenos da natureza, ou seja, a PHISIS. Tales, Anaximandro, Anaxímenes, Heráclito, Pitágoras, Xenófanes, Parmênides, Zenão, Empédocles, Anaxágoras, Lêucipo, Demócrito ficaram conhecidos como pré-socráticos. Tiveram a preocupação de encontrar respostas para os fenômenos da natureza e buscaram não utilizar o mito para essas explicações. No auge da filosofia grega, por volta de 400 anos a.C, Sócrates tornou-se amado e odiado pelos gregos, devido a seus questionamentos filosóficos e seu método baseado nas parteiras (maiêutica). Construiu sua trajetória rejeitando os sofistas (que dominavam a arte do discurso e da retórica, mas que não tinham compromisso com a questão da verdade). Sócrates mostrou que é mais sábio admitir a ignorância do que se fazer de sábio. Ele centrou sua preocupação no ententimento sobre o ser humano e destaca que: 5 Finalmente, a resposta é precisa e inequívoca: o homem é a sua alma, enquanto é precisamente a sua alma que o distingue especificamente de qualquer outra coisa. E por “alma” Sócrates entende a nossa razão e a sede de nossa atividade pensante e eticamente operante (REALE, 1990, v.1, p. 87). Para Sócrates a virtude se relaciona com conhecimento e o vício, a ignorância. Ele afirmava que o sujeito humano era incapaz de errar de modo voluntário, pois, o erro ou o pecado, só ocorrem por ignorância. Outro filósofo importante é o discípulo de Sócrates conhecido como Platão, este filósofo foi importante por apresentar de modo sistematizado o pensamento idealista. Concebia as ideias como precedente das coisas ou da realidade palpável. Para ele a realidade era apenas cópia imperfeita das ideias. Por fim, a Grécia também teve o discípulo de Platão, conhecido como Aristóteles, o que discordava totalmente de seu mestre, tendo construído seu pensamento contrapondo-se ao idealismo. Ele defendia que o conhecimento se estruturava a partir das experiências do mundo sensível, ou seja, por meio da empiria era possível construir o conhecimento. Aristóteles era um excelente observador da natureza e foi um significativo biólogo, talvez sendo um dos primeiros a separar os dados da natureza como animais, plantas etc. Ele também construiu um processo lógico de pensamento, estabelecendo o chamado “primeiro motor imóvel” e as causas dos movimentos das coisas. Outro momento significativo da história da filosofia foi a medievalidade. Apesar de esse termo ter sido construído pelos Modernos (principalmente os renascentistas), que olhavam para o passado e idealizavam os gregos, todo o período vai do fim do Império Romano, até o século XV, como um período do meio, por isso medievo ou idade média, logo, considerado como pouco iluminado, pela razão. O medievo teve suas construções filosóficas com características próprias, influenciadas pelo Cristianismo, que neste período, centralizava não só o poder espiritual, mas também, o político. Destacamos, neste período apenas dois filósofos: Agostinho e Tomás de Aquino, mas são inúmeros os pensadores, que habitando conventos religiosos, construíam textos filosóficos e dialogavam com outros, assim como acessavam as obras dispostas nas bibliotecas dos mosteiros. 6 Santo Agostinho foi o responsável por estabelecer a ligação entro o pensamento de Platão (chamado de platonismo) com as ideias do cristianismo. “Nascia o filosofar na fé: nascia a filosofia cristã, amplamente preparada por Padres gregos, mas que só iria chegar ao perfeito amadurecimento com Agostinho” (REALE, 1990, v.1, p. 434). Já no século XII, a partir das cruzadas, alguns textos de Aristóteles chegaram até a Europa Cristã e começaram a pôr em risco a filosofia cristã. Neste contexto entra em cena o filósofo Tomás de Aquino que construiu uma sistematização da filosofia cristã com a filosofia de Aristóteles. A metafísica Aristotélica que afirmava haver um primeiro motor imóvel é balizada no ideário cristão e desse modo Tomás de Aquino define o primeiro motor imóvel como o Deus e com isso, a filosofia cristã tem novo aparato teórico e continua tendo sua força e determinação no contexto da época. Portanto, na idade média o conhecimento era determinado pela religião cristã e a razão filosófica não tinha a liberdade de contradizer as verdades instituídas pela fé cristã. No início da modernidade com o movimento renascentista, os intelectuais começam a retomar o ideário grego e romano, também por influência da revolução científica que dura em torno de 150 anos, a ciência moderna é constituída. A base do conhecimento vai aos poucos se distanciando da fé cristã e se estruturando na ciência. A filosofia humanista colabora com esse propósito e a racionalidade vai conquistando espaços na sociedade. Nicolau Copérnico, Galileu, Giordano Bruno, Kepler e Isaac Newton fundamentaram suas ideias não mais na fé cristã, mas na razão e na experiência. Reale (1990), ressalta que: Copérnico tira a terra do centro do universo e, com ela, o homem. A terra não é mais o centro do universo, mas um corpo celeste como os outros: ela, precisamente, não é mais aquele centro do universo criado por Deus em função do homem concebido como o ponto mais alto da criação, em função do qual estaria todo o universo (REALE, 1990, v.2, p. 186). A partir daí o conhecimento científico passa a buscar autonomia, passa a se fundamentar na racionalidade, como em Descartes, e, no empirismo, como em Francis Bacon. 7 Ainda, durante a modernidade, o Estado irá se estruturar, primeiro o absolutismo e depois, a república. No absolutismo, ainda mantendo alianças fortes com a Igreja Cristã, tendo sua fundamentação, na discussão sobre o contrato social, a partir de Hobbes e Maquiavel. As ideias iluministas, o absolutismo passa a ser combatido, por filósofos como Voltaire e Rousseau, os quais passam a pensar o Estado a partir de novos princípios chamado republicanos. Esse período foi rico em pensamento político e estruturou as bases para a construção do pensamento liberal. Já no século XIX, principalmente a partir da Revolução Francesa e da Revolução Industrial a sociedade passa a sofrer tantas alterações que até a Sociologia passa a se constituir para entender essa realidade. Desse modo, a filosofia também se modifica incorporando elementos deste contexto. Foi neste período que viveu Karl Marx, a filosofia passa a ser entendida como um modo de pensar interligado com a ideia de modificar a realidade social. É a filosofia da práxis, filosofia engajada que rejeita a perspectiva de ser apenas teoria para ser um fundamento prático de mudanças no modo de organizar a sociedade. Marx estuda profundamente o sistema econômico capitalista e propõe uma filosofia, baseada no materialismo e por meio de uma lógica dialética, sendo que está forma de pensar busca meios para superar o capitalismo visando estruturar uma sociedade que supere a exploração através do trabalho. No início do século XX, Antonio Gramsci adepto das ideias de Marx passa afirmar que os intelectuais não são neutros, ou estão a favor do Status Quo ou passam a ser intelectuais orgânicos da classe trabalhadora. No final do século XIX e no século XX, alguns filósofos passam a questionar a racionalidade moderna, um exemplo disso é Nietzsche. Mas são vários filósofos que irão se portar questionando os fundamentos da racionalidade moderna, como Benjamin, Marcuse, Habermas, Foucault. Nosso propósito com esse texto é mostrar que a filosofia não é algo estático, não é algo pronto, não é algo acabado. E que o tema a temática da Educação é pertinente a história da filosofia. A epistemologia do conhecimento necessária para fundamentar um processo educacional é estrutura desde os gregos e com diversas variações e mudança
URI: http://repositorio.unicentro.br/handle/123456789/556
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